Xetá mantém resistência frente ação de reintegração de posse no Paraná
Com revisão de Clovis Antonio Brighenti, Osmarina de Oliveira e Ivan Cesar Cima
CIMI Regional Sul.
Uma ação de reintegração de posse contra a retomada da terra pelo povo Xetá, tem colocado esse povo em alerta e com muita preocupação nos últimos dias. Quarenta e duas (42) famílias Xetá retomaram um território ao norte do Paraná, no início de janeiro, no distrito de Terra Nova, município de São Jerônimo da Serra, área essa pertencente a um particular residente em Curitiba. A terra estava improdutiva há anos e era objeto de incêndio cotidianamente.
Os Xetá reivindicam a conclusão da demarcação da Terra Indígena Herarekã Xetá, tradicionalmente ocupada por esse povo, tendo o processo iniciado pela Funai em 1999 e até hoje, inconclusivo, devido a utilização indevida do marco temporal por parte da Justiça Federal do Paraná, numa ação movida pela Agropecuária Santa Maria, contra a regularização da TI. A retomada é também, uma homenagem aos ancestrais que, ao encantarem, levaram consigo, o sonho da terra sagrada.
A ação de reintegração de posse, conduzida pelos proprietários da área, deixam os indígenas e as organizações apoiadoras em alerta, como o próprio Conselho Indigenista Missionário (CIMI) Regional Sul.
“O CIMI vê com preocupação essa ação de reintegração de posse movida pelos proprietários e exige que a Funai faça a defesa do povo Xetá, que garanta essa terra e regularize essa situação fundiária junto aos proprietários. Além disso, é necessário que se faça a demarcação reparatória, cedendo essa terra ao povo Xetá, para que eles, pela primeira vez, consigam viver em uma terra própria”, enfatizou Osmarina de Oliveira, que integra a coordenação do CIMI Regional Sul no Paraná.
Ela acrescenta ainda um pedido para a sociedade. “É necessário que a sociedade se mobilize, que os/as apoiadores/as da causa Xetá estejam juntos/as nessa sua luta pela demarcação do território, na luta pela reparação”.
O CIMI, enquanto organização apoiadora da causa Xetá, denuncia a morosidade da Funai em não efetivar a demarcação e a omissão do governo do estado do Paraná, que faz vistas grossas, como se não tivesse responsabilidade pelo esbulho da terra desse povo. É urgente, na visão do CIMI, a devolução da terra e a reparação histórica para os Xetá, que continuam no exílio e vivendo separados.
“Que a reparação comece pelo reconhecimento da terra retomada”, defende o CIMI.
Conheça a história do povo Xetá a partir do depoimento dos filhos de um dos sobreviventes ao massacre:
Leia a reportagem: Paraná: Xetá fazem retomada 70 anos após massacre e quase extinção de seu povo
Paraná: Xetá fazem retomada 70 anos após massacre e quase extinção de seu povo
Indígenas Xetá fazem retomada 70 anos após massacre e quase extinção de seu povo
Jornalista, militante da Pastoral da Juventude do Meio Popular (PJMP).
