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Cimi Regional Sul aciona Ministério Público Federal contra manifestações racistas em Santa Cruz do Sul (RS)

Cimi Regional Sul aciona Ministério Público Federal contra manifestações racistas em Santa Cruz do Sul (RS)

Cimi Sul
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O Conselho Indigenista Missionário (Cimi), Regional Sul (Cimi Sul), organismo vinculado à CNBB, protocolou uma Notícia de Fato junto ao Ministério Público Federal (MPF) para denunciar práticas de racismo, discriminação étnica e incitação ao ódio contra povos indígenas. A representação, encaminhada ao Procurador da República Dr. Pedro Nicolau, baseia-se em publicações realizadas em redes sociais pela Sra. Silvia Thier, no município de Santa Cruz do Sul. Segundo a denúncia, o conteúdo divulgado utilizou linguagem abertamente ofensiva e desumanizante, promovendo a desqualificação coletiva de comunidades indígenas e incitando a população a não adquirir os produtos comercializados por esses povos em áreas urbanas.

Publicação realizada em redes sociais pela Sra. Silvia Thier, no município de Santa Cruz do Sul.

O Cimi ressalta que, embora a publicação tenha sido removida pela própria autora após a repercussão negativa, a materialidade da conduta permanece inalterada, uma vez que o conteúdo alcançou um número indeterminado de pessoas e possui alto potencial de disseminação. A denuncia enfatiza que tais manifestações ultrapassam os limites da liberdade de expressão e configuram discurso de ódio dirigido a um grupo étnico específico, o que é vedado pela Constituição Federal de 1988. A legislação brasileira, reforçada pela Lei nº 14.532/2023, equipara a injúria racial ao crime de racismo, tornando tal prática inafiançável e imprescritível. Além do amparo nacional, a denúncia fundamenta-se em normas internacionais, como a Convenção 169 da OIT e a Declaração das Nações Unidas sobre os Direitos dos Povos Indígenas.

Diante da gravidade dos fatos, o Cimi Regional Sul requereu ao Ministério Público Federal a instauração imediata de um procedimento de apuração para a completa identificação e responsabilização da autora. A entidade também solicita a adoção de medidas judiciais e extrajudiciais que garantam a proteção e o livre exercício das atividades econômicas dos povos indígenas na região, além de ações preventivas e educativas para coibir o avanço de discursos discriminatórios. Manifestações dessa natureza não podem ser naturalizadas pelas instituições públicas, sob o risco de aprofundar processos históricos de exclusão e violência contra os povos originários. O Cimi reafirma seu compromisso com a defesa da dignidade da pessoa humana e com o direito à diferença e proteção dos modos de vida indígenas.