NOTA DO CIMI SUL SOBRE A RETOMADA TERRITORIAL KAINGANG EM PASSO FUNDO (RS)

Cimi Sul
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O Conselho Indigenista Missionário (Cimi), Regional Sul (Cimi Sul), acompanha com atenção a mobilização realizada por famílias Kaingang da comunidade Goj Nhur, no município de Passo Fundo (RS), ocorrida no dia 30 de maio de 2026.

Cerca de 40 famílias realizaram a retomada de uma área pertencente à União, localizada às margens da ferrovia que atravessa o município, nas proximidades da RS-324. A ação insere-se no contexto da histórica luta do povo Kaingang pela recuperação de seus territórios tradicionais e pela efetivação dos direitos originários assegurados pela Constituição Federal de 1988.

A retomada expressa a resistência de um povo que, ao longo de décadas e séculos, sofreu processos de expulsão, confinamento territorial, violência e negação de direitos. A reivindicação das famílias não se limita ao acesso à terra, mas representa a busca por condições dignas de existência, pela preservação de sua cultura, de sua organização social e de seus modos próprios de viver.

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A retomada expressa a resistência de um povo que, ao longo de décadas e séculos, sofreu processos de expulsão. Foto: Comunidade Kaingang.

O Cimi Sul manifesta preocupação diante das reações contrárias já registradas por parte de agricultores e de outros setores da sociedade local. Tais manifestações, quando pautadas pela intolerância, pelo preconceito ou pela negação dos direitos indígenas, contribuem para ampliar tensões e colocar em risco a integridade física e a segurança das famílias mobilizadas.

É fundamental recordar que os direitos territoriais indígenas não constituem concessões do Estado, mas direitos originários reconhecidos pela Constituição Federal, anteriores à própria formação do Estado brasileiro. A busca pela reparação das injustiças históricas cometidas contra os povos indígenas é condição indispensável para a construção de uma sociedade verdadeiramente democrática e plural.

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É fundamental recordar que os direitos territoriais indígenas não constituem concessões do Estado, mas direitos originários. Foto: Comunidade Kaingang.

Diante da situação, o Cimi Sul solicita que os órgãos públicos competentes acompanhem atentamente os acontecimentos, adotando medidas que garantam a segurança das famílias Kaingang e assegurem o respeito aos seus direitos constitucionais e humanos.

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Reafirmamos nossa solidariedade ao povo Kaingang da comunidade Goj Nhur e nosso compromisso com a defesa dos direitos dos povos indígenas, de seus territórios, de sua autonomia e de sua dignidade.

Chapecó (SC), 31 de maio de 2026.

Conselho Indigenista Missionário – Regional Sul (Cimi Sul)