Sob a Sombra da Monocultura, Povos Avá-Guarani Resistem Através da Agroecologia no Paraná

Cimi Sul
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Texto e fotos: Ricardo Albernaz – Cimi Sul/Equipe Litoral São Paulo. 

Encontro da Articulação Nacional de Agroecologia no Paraná expõe o confinamento territorial, denúncias de pulverização intencional de veneno sobre moradias e a atuação desproporcional de forças de segurança nas aldeias Avá-Guarani

FOZ DO IGUAÇU (PR) – Entre os dias 18 e 22 de maio, a plenária ampliada da Articulação Nacional de Agroecologia (ANA) reuniu cerca de duzentas pessoas em Foz do Iguaçu (PR). O evento serviu como base para a construção do 5° Encontro Nacional de Agroecologia, programado para o próximo ano na mesma cidade paranaense. O encontro congregou lideranças indígenas, movimentos sociais do campo e da cidade, comunidades tradicionais, pescadores, assentados da reforma agrária e pequenos agricultores.

Caravanas e a Realidade dos Territórios

A dinâmica inicial da plenária dividiu os participantes em sete grupos que saíram em caravana pelos territórios da região. Uma das frentes percorreu as áreas indígenas Tekoa Yvy Okaju, Aldeia Guarany e Tajy Poty, do povo Ava Guarani, situadas nos municípios de Guaíra e Terra Roxa, no oeste do Paraná.

A ação buscou promover a escuta direta e a troca de experiências locais. O objetivo central foi o fortalecimento de pautas convergentes: a defesa da democracia, a demarcação e proteção dos territórios e a expansão dos plantios agroecológicos. Essas práticas visam garantir a oferta de alimentos livres de agrotóxicos e insumos químicos sob o protagonismo das populações camponesas e urbanas.

Produção Comunitária Cercada pelo Agronegócio

Nas aldeias visitadas, os integrantes da caravana registraram diversas iniciativas de base comunitária desenvolvidas pelo povo Avá-Guarani. Mesmo empurradas para as margens de imensas monoculturas de milho e soja, as comunidades mantêm criações de animais e roçados diversificados em pequenos espaços de terra.

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Tekoa Yvy Okaju, município de Guaíra-PR.
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Tekoa Yvy Okaju, município de Guaíra-PR.

A subsistência indígena enfrenta o avanço do agronegócio e as sequelas históricas da perda de terras inundadas pela barragem da usina hidrelétrica de Itaipu Binacional. Lideranças locais enfatizam que o termo “agroecologia” é uma definição da sociedade envolvente para descrever a relação ancestral que os povos originários sempre mantiveram com o solo e a natureza.

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Aldeia Guarani, município de Guaíra e Terra roxa-PR.
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Aldeia Guarani, município de Guaíra e Terra roxa-PR.
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Aldeia Guarani, município de Guaíra e Terra roxa-PR.
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Aldeia Guarani, município de Guaíra e Terra roxa-PR.
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Aldeia Guarani, município de Guaíra e Terra roxa-PR.

Denúncias de Contaminação por Agrotóxicos

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O isolamento geográfico imposto gera problemas graves de saúde pública. Praticamente todas as comunidades visitadas relataram episódios frequentes de contaminação humana por venenos agrícolas aplicados nas lavouras vizinhas. Em alguns pontos, as habitações indígenas ficam separadas da monocultura por distâncias que variam de apenas três a cinco metros. Há denúncias explícitas de que operadores de tratores acionam e elevam intencionalmente os equipamentos de pulverização na direção das residências durante o manejo dos venenos.

Confinamento Territorial e Segurança Ostensiva

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Tekoa Tajy Poty, município de Terra roxa-PR.
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Tekoa Tajy Poty, município de Terra roxa-PR.
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Tekoa Tajy Poty, município de Terra roxa-PR.

O cenário descrito pelos Avá-Guarani é de um “confinamento territorial” cercado pelas máquinas do homem branco, chamados por eles de Karai Kuera. Os Ava Guarani aguardam a décadas pela demarcação do território originário. Esses espaços, atualmente, estão invadidos por fazendeiros, que tem títulos chancelados pelo Estado. A Itaipu Binacional é apontada como uma das principais responsáveis pela desterritorialização histórica dos Ava Guarani.

A pressão cotidiana se reflete também na segurança das aldeias. No território Tekoa Yvy Okaju, a comunidade ergueu uma casa de reza no local exato onde um jovem foi morto em ataques armados recentes, transformando o luto em símbolo de permanência. A realidade constatada pelas caravanas realizadas no oeste do Paraná reforça que a luta pela agroecologia é indissociável da defesa dos direitos humanos e da demarcação das terras indígenas. Diante do cenário de confinamento territorial e violações sistemáticas, a Articulação Nacional de Agroecologia convoca a sociedade civil, movimentos sociais e órgãos de direitos humanos a somarem forças nesta denúncia. Fortalecer a aliança com os povos originários é um dever urgente para frear a violência no campo e garantir a soberania alimentar do país.