Encíclica Magnifica Humanitas
Por Roberto Liebgott
Cimi Sul – Equipe Porto Alegre
Ivan Cesar Cima
Cimi Sul – Equipe Norte RS.
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No jornal Brasil de Fato, o jornalista Marcos Antônio Corbari apresentou uma breve, mas profunda análise sobre a Encíclica Magnifica Humanitas, publicada pelo Papa Leão XIV em 25 de maio de 2026. Corbari refere que a encíclica nasce como um documento histórico, mas acima de tudo, recoloca a questão social no centro do debate mundial, agora marcada pelos impactos da inteligência artificial, da tecnocracia e da concentração de poder nas mãos de poucas corporações.
A Encíclica parte da ideia de que a humanidade vive uma grande encruzilhada: ou a tecnologia será colocada a serviço da dignidade humana, da fraternidade e do bem comum, ou acabará criando novas formas de dominação, exclusão e desumanização.
O Papa dialoga diretamente com a tradição iniciada pelo Papa Leão XIII, na Encíclica Rerum Novarum. Naquele período, a Igreja enfrentava os impactos da Revolução Industrial sobre os trabalhadores. Agora, o desafio é compreender os efeitos da revolução digital e da inteligência artificial sobre a própria condição humana.
Entre os principais temas da Encíclica estão:
1. a defesa da dignidade humana diante da lógica do mercado e da automação;
2. a crítica à concentração do poder tecnológico em poucas empresas;
3. a denúncia da transformação das pessoas em dados, algoritmos e mercadorias;
4. a preocupação com o desemprego provocado pela inteligência artificial;
5. o alerta sobre armas autônomas e a banalização da guerra;
6. e, a reafirmação de que nenhuma inteligência artificial pode substituir consciência, compaixão, espiritualidade e responsabilidade moral.
Há também uma dimensão profundamente humana e espiritual no documento. O Papa insiste que a verdadeira grandeza da humanidade não está apenas na capacidade técnica, mas na capacidade de amar, cuidar, criar vínculos e proteger os mais vulneráveis.
Uma das imagens mais fortes da Encíclica é a escolha entre “uma nova Torre de Babel” ou uma sociedade fundada na fraternidade. A metáfora aponta para o risco de um mundo extremamente conectado pela tecnologia, mas cada vez mais fragmentado socialmente, espiritualmente e humanamente.
Outro aspecto importante é quando o Papa relaciona tecnologia e memória histórica. Ao pedir perdão pelo papel histórico da Igreja na legitimação da escravidão, ele alerta que novas formas de escravidão podem surgir hoje por meios digitais, econômicos e tecnológicos.
No fundo, a Magnifica Humanitas recoloca a justiça social no coração do debate contemporâneo. Em muitos aspectos, ela parece ser uma espécie de nova Rerum Novarum para a era da inteligência artificial.
Para Corbari, a mensagem do Papa é clara: ” o futuro não pode ser entregue aos interesses do capital nem ao poder sem controle das grandes corporações tecnológicas. A tarefa do nosso tempo é organizar a economia, a política e a inovação a serviço do povo, da justiça social e da dignidade humana”.
28 de maio de 2026.
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Leia:
‘Magnifica Humanitas‘: Papa Leão recoloca a justiça social no centro do debate mundial
Roberto Antônio Liebgott é missionário do CIMI - Conselho Indigenista Missionário, atuando na região Sul do Brasil.
Coordenação Colegiada do Cimi Sul - Conselho Indigenista Missionário.
