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Nota de Pesar: João Tupã Naravy Centurião, uma centelha de resistência Avá-Guarani

Nota de Pesar: João Tupã Naravy Centurião, uma centelha de resistência Avá-Guarani

Cimi Sul
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O Conselho Indigenista Missionário (Cimi) Regional Sul manifesta seu mais profundo pesar e sua solidariedade ao povo Avá-Guarani pela partida de João Tupã Naravy Centurião, ocorrida na madrugada deste dia 18 de março de 2026.

Aos 105 anos, João Tupã Naravy retornou ao seu amba (altar) junto ao Pai, deixando na terra um rastro luminoso de dignidade. Nascido em 1920, no coração do Yvy Mbyté, ele foi testemunha ocular da transformação da mata em deserto verde e do Rio Paraná em um imenso lago. Viu sua terra ser tomada e sua família forçada ao exílio, mas nunca permitiu que o silêncio substituísse a sua voz.

Como o trovão que carrega em seu nome, João enfrentou gigantes. Liderou seu povo como cacique entre 1984 e 1988, na linha de frente contra as injustiças causadas pela Itaipu Binacional, e foi um guardião incansável dos roçados e das sementes, reafirmando que a terra é vida e sustento, mesmo quando restava apenas um pequeno pedaço dela.

Seu legado transcende a luta territorial. Aos 102 anos, ao ingressar na escola, João Tupã Naravy ensinou às novas gerações que o conhecimento do “outro” é uma arma de defesa que deve ser empunhada sem que se perca a própria essência. Sua imagem escrevendo o próprio nome na lousa permanece como um símbolo eterno de que a resistência não tem idade.

Neste momento de despedida, o Cimi Sul agradece a honra do convívio e o privilégio de ter caminhado ao lado de uma liderança tão sábia e acolhedora. Sua alegria, sua bicicleta percorrendo os caminhos do Tekoha Ocoy e sua memória firme na busca por reparação histórica continuarão a guiar os passos de todos aqueles que lutam pela justiça e pelos direitos indígenas.

João Tupã Naravy Centurião: Presente!

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Que o som de seu nome siga ecoando como o trovão, anunciando tempos de justiça.

Chapecó (SC), 18 de março de 2026.