Uma Prece à Mãe Terra

Claudia Weinman
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Uma Prece à Mãe Terra

Querida Mãe,

Somos filhos e filhas de teu ventre, gerados em teu útero fecundo e regados pelas águas dos mares, lagos e rios, sangue vital que sustenta os fluxos do tempo, dos climas e da vida.

Mãe, tu não és apenas corpo, nem somente ventre. És espírito que guarda força e memória. Em ti habita o mistério da criação, o sagrado que sustenta e alimenta todos os mundos.

O ar que respiramos, Mãe, nasce das matas floridas, de tuas sementes, de tuas folhas caídas, transformadas em húmus, da umidade e da fertilidade ativa de teu chão, sempre prenhe de vida nova.

Mãe, teus filhos e filhas não se restringem aos homens e às mulheres. São também os animais, as aves, os peixes, os insetos, os répteis, os fungos, as árvores, os rios, as montanhas e uma infinidade de seres, visíveis e invisíveis, que compartilham a mesma casa e o mesmo sopro de vida.

Todos nascem de ti. Todos retornam a ti.

Mãe, os humanos subvertem tua existência. Negam tua maternidade, ferem teu ventre, destroem teus rios e envenenam o ar.

Os humanos, Mãe, matam-se entre si e aniquilam seus irmãos e irmãs. Queimam as matas, arrancam as raízes do solo, contaminam as águas e rompem os laços de reciprocidade que sustentam a vida.

Eles, eu, nós todos e todas não compreendemos a lógica da criação. Não entendemos tua sabedoria nem os limites que nos ensinas. Esquecemos que pertencemos a ti e passamos a agir como donos daquilo que apenas recebemos em cuidado.

Por isso te transformamos em mercadoria, te vendemos, te exploramos, te envenenamos e te matamos.

Mesmo assim, permaneces generosa.

Mesmo ferida, continuas oferecendo frutos, águas, remédios, abrigo e beleza. Continuas acolhendo a vida e alimentando a esperança.

Mãe Terra, ensina-nos novamente a escutar.

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Escutar o vento entre as árvores, o canto dos pássaros, a linguagem das águas, a voz dos ancestrais e o silêncio profundo da criação.

Ensina-nos a caminhar com humildade, a reconhecer nossos parentes em todos os seres e a cuidar da vida do planeta, da qual somos apenas uma pequena parte.

Que possamos reaprender a ser teus filhos e filhas.

Que possamos reaprender a viver.

Porto Alegre, 12 de junho de 2026.

Roberto Liebgott
Cimi Sul – Equipe Porto Alegre