Os capitalistas enchem o papo com a devastação e a miséria
A saga do lucro não conhece limites. Os donos do mundo não dormem. Seguem comendo a terra, devastando florestas, matando rios, envenenando águas e tudo o que nelas vive e resiste.
Mas não lhes basta ferir a natureza. Precisam também esmagar os povos, expulsá-los de seus territórios, escravizá-los de formas novas ou antigas, dobrá-los para que sirvam sem qualquer tipo de objeção.
A vida, a dignidade humana, os direitos fundamentais – nada disso os afeta. Nada disso os freia. Avançam sobre tudo. Desmontam leis, corrompem instituições, compram consciências, transformam direitos em entraves e a justiça em mercadoria.
Os Estados nacionais, tantas vezes, ajoelham-se. Tornam-se balcões de negócio, escritórios de interesses privados, servos obedientes da ganância global. Pouco importa a fome, a pobreza, a exclusão ou o abandono de milhões.
Nessa lógica, a terra não é mãe: é ativo. A floresta não é vida: é estoque. O rio não é fonte de vida do planeta: é recurso. Pessoas pobres não são tratadas como gente, mas como mão de obra barata ou descarte.
Povos originários, comunidades tradicionais, quilombolas, camponeses e ribeirinhos são tratados como obstáculos removíveis diante do minério, do petróleo, da soja, do eucalipto e do boi.
No Brasil, multiplica-se o cuidado com rebanhos e grandes plantações do agro, enquanto falta cuidado com pessoas. Investe-se mais no lucro da cerca do que na dignidade humana.
Terras raras, minérios, água, energia, grãos e carne alimentam os impérios modernos. A partir dessa lógica exploratória crescem fortunas obscenas e tecnologias reluzentes, erguidas sobre lama, devastação, sangue e silêncio.
E, lá do alto da pirâmide global, observam os que esmagam e, na mesma medida, enchem o papo com o lucro desmedido. E cá embaixo, multidões disputam migalhas que despencam da mesa dos poderosos.
Mas há de se reafirmar que nenhum império dura para sempre. Os de cima costumam acreditar que seu poder é eterno, que suas muralhas jamais cairão e que os de baixo nasceram para obedecer. Enganam-se.
Quando os que sustentam o mundo com trabalho, suor e resistência se movem, toda estrutura treme. E quando os de baixo se levantam, os de cima caem.
Porto Alegre (RS), 25 de abril de 2026.
Jornalista, militante da Pastoral da Juventude do Meio Popular (PJMP).
