Nota de Denúncia contra a Prefeitura de Porto Alegre por confiscar os pertences de indígenas que comercializam seus produtos no centro da capital

Cimi Sul
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Na noite de quarta-feira, 06 de maio de 2026, fiscais da Prefeitura de Porto Alegre (RS) recolheram e confiscaram, novamente, os carrinhos manuais utilizados por indígenas para guardar e transportar seus materiais de trabalho e artesanato comercializados no centro da capital.

Esta já é a terceira apreensão em menos de dois meses, demonstrando uma prática reiterada de perseguição e violação dos direitos dos trabalhadores indígenas que, há décadas, exercem suas atividades de comercialização nos espaços públicos de Porto Alegre, garantindo a subsistência de suas famílias e a manutenção de sua cultura, tradições e modo de vida.

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Foram recolhidos e confiscados novamente, os carrinhos manuais utilizados por indígenas. Foto: Povos Indígenas.

Os carrinhos apreendidos não representam apenas instrumentos de trabalho; são parte fundamental da dinâmica de sobrevivência das famílias indígenas que ocupam historicamente os espaços urbanos da capital gaúcha – território também marcado pela presença ancestral dos povos originários.

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Foto: Povos Indígenas.

As ações promovidas pela Prefeitura evidenciam um movimento de remoção e invisibilização desses trabalhadores indígenas do centro da cidade, criminalizando a pobreza, a presença indígena e o comércio tradicional realizado por essas comunidades.

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Foto: Povos Indígenas.

É importante destacar que existe uma Ação Civil Pública proposta pelo Ministério Público Federal, em tramitação na Justiça Federal desde 2019, que questiona justamente as práticas de apreensão, retirada e restrição ao trabalho dos indígenas em Porto Alegre.

Diante da gravidade dos fatos, denunciamos mais este episódio de violência institucional e exigimos:

1. A imediata devolução dos carrinhos e materiais apreendidos;

2. O respeito ao direito ao trabalho e à permanência dos indígenas nos espaços urbanos;

3. A suspensão das ações de recolhimento e perseguição promovidas pela fiscalização municipal;

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4. A construção de um diálogo efetivo com as comunidades indígenas e suas organizações representativas.

A cidade de Porto Alegre não pode continuar tratando os povos indígenas como um problema a ser removido, mas deve reconhecer sua presença histórica, seus direitos constitucionais e sua contribuição cultural e social para a vida da capital gaúcha.

Porto Alegre (RS), 07 de maio de 2026.

Cimi Sul – Equipe Porto Alegre.