NOTA PÚBLICA DO CIMI SUL

Claudia Weinman
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O governador do estado de Santa Catarina, Jorginho Mello (PL), desrespeita o povo Laklãnõ Xokleng e agride a dignidade das mulheres indígenas.

O Conselho Indigenista Missionário (Cimi), Regional Sul, manifesta seu mais veemente repúdio à postura do governador de Santa Catarina, Jorginho Mello (PL), durante sua passagem pela Terra Indígena Laklãnõ Xokleng, na tarde desta quarta-feira, 8 de julho, ocasião em que proferiu falas de cunho racista, machista e misógino.

Conforme registrado em imagens amplamente divulgadas, o governador ingressou no território indígena para gravar um vídeo sobre a barragem de contenção de cheias construída no interior da Terra Indígena – referente a um suposto plano de contingência -, porém, fez isso sem diálogo, sem ouvir a comunidade e sem o consentimento das lideranças, recusando-se a dialogar com os presentes. Ao ser questionado pelas mulheres Xokleng, respondeu com agressividade, chegando a mandar que elas fossem “à merda”, numa atitude incompatível com a função pública que exerce e profundamente ofensiva à dignidade das mulheres indígenas.

O episódio não constitui apenas um destempero verbal. Trata-se de uma demonstração de desrespeito institucional aos povos originários, às suas lideranças e às mulheres que, historicamente, sustentam a resistência, a cultura e a organização de seus povos.

É inaceitável que um governador trate com desprezo aqueles que deveriam ser reconhecidos como sujeitos de direitos. O comportamento torna-se ainda mais grave por ocorrer dentro de um território indígena historicamente marcado por violações, conflitos e pela permanente luta do povo Laklãnõ Xokleng na defesa de sua terra, de sua memória e de sua existência.

A postura do chefe do Executivo estadual reproduz práticas coloniais e racistas que insistem em negar aos povos indígenas o direito à palavra, ao debate e ao respeito. Não há democracia quando autoridades públicas substituem a escuta pela arrogância e a responsabilidade institucional pela ofensa.

A Constituição Federal reconhece os direitos originários dos povos indígenas sobre seus territórios e impõe ao Estado o dever de protegê-los e respeitá-los. A Convenção 169 da OIT reforça a obrigação de estabelecer relações baseadas na boa-fé, no diálogo e no respeito às instituições e formas próprias de organização dos povos indígenas. Nada disso foi observado na conduta do governador.

O Cimi Sul manifesta sua irrestrita solidariedade às mulheres e ao povo Laklãnõ Xokleng e exige que o governador Jorginho Mello apresente retratação pública pelas ofensas proferidas, adotando, doravante, uma postura compatível com a dignidade do cargo que ocupa.

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As mulheres indígenas merecem respeito. Os povos indígenas merecem respeito. A Constituição deve ser respeitada.

Conselho Indigenista Missionário, Regional Sul

Chapecó, SC, 08 de julho de 2026.