Horta Guarani: a primeira colheita na Tekoha Ocoy
Em novembro de 2025, as fotografias de uma horta iniciada por meio do trabalho coletivo do povo guarani, na Tekoha Ocoy, em São Miguel do Iguaçu, no Paraná, já indicavam que a colheita seria boa. Quem cultiva a terra com carinho e respeito, colhe alimento sem veneno e esperança de um futuro bom.

Assim Daniel Maraca Miri Lopes descreve a primeira colheita de 2026, com a criançada exibindo uma melancia a ser repartida com todos e todas. Além dela, feijão, amendoim, milho, cana-de-açúcar e verduras já alimentaram a comunidade por esses dias.
“Distribuímos melancia para a vizinhança, deu um resultado muito bom. Estamos preparando para ampliar a produção. Tem gente que já disse que vai levar esse projeto para sua casa também”, contou.


A ideia

Essa horta surgiu no território a partir de uma oficina com jovens indígenas, no ano passado, e ali, se debateu a produção de mais alimentos para a comunidade, além de remédios.
“Tivemos a ideia de cercar pequenos espaços e plantar variedades de sementes para a comunidade”, explicou Daniel.

Nesse território, onde a horta foi organizada, com apoio de organizações como o Conselho Indigenista Missionário, Cimi Regional Sul, existe muita resistência e vontade de garantir que a cultura e a memória do povo guarani sejam resguardadas e respeitadas. Daniel inclusive traz um resgate histórico de que seus ancestrais viviam à margem do rio Paraná, e que todo aquele território se encontra debaixo das águas pela construção da hidrelétrica da Itaipu Binacional. “Morava muita gente, famílias, mas devido a situação da Itaipu, a pressão, amedrontamento, muitas famílias foram para o lado do Paraguai, da Argentina e brasileiro também. É uma grande luta estarmos aqui hoje, resistindo, por isso precisamos da horta e garantir a nossa cultura e a nossa sobrevivência”, finalizou.
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Jornalista, militante da Pastoral da Juventude do Meio Popular (PJMP).
