Por que votar em Lula é dizer não ao projeto de Bolsonaro?
Porque não basta falar em Deus: é preciso defender a vida. Não basta vestir-se de moral: é preciso agir com ética. Não basta falar em justiça: é preciso enfrentar as desigualdades e assumir o compromisso com os pobres e com todos aqueles que têm seus direitos negados.
O bolsonarismo expressa uma profunda contradição entre o discurso religioso e a prática política. Invoca a fé, mas alimenta o ódio; fala em justiça, mas flerta com a violência e com práticas milicianas; proclama a defesa da família, mas transforma a intolerância em instrumento político. Diz defender os pobres, mas se opõe a direitos sociais e trabalhistas. Exalta a pátria, mas coloca em risco a soberania nacional e nossas riquezas, subordinando interesses coletivos aos interesses econômicos dos Estados Unidos da América.
Essa lógica também ameaça os povos indígenas, seus territórios e seus modos de vida. A terra não é mercadoria: é lugar der ser, viver, de existência, memória, espiritualidade, cultura e ancestralidade. Defender os povos indígenas é defender as águas, as florestas, a biodiversidade e a própria continuidade da vida. Não há justiça enquanto comunidades forem ameaçadas, territórios invadidos e lideranças perseguidas por lutarem por seus direitos.
Lula representa outra perspectiva de país, embora seu projeto não rompa com os privilégios das elites econômicas e mantenha alianças e compromissos que precisam ser questionados. Seu governo tem limites e contradições, mas reconhece responsabilidades do Estado com os que mais precisam. Investimentos na educação pública, o fortalecimento do SUS, as políticas de transferência de renda e a ampliação do acesso a medicamentos, através da Farmácia Popular, fazem diferença na vida de milhões de pessoas.
Também existem diferenças fundamentais na defesa da democracia, dos direitos sociais, dos povos indígenas e quilombolas, na proteção ambiental e no enfrentamento ao racismo, ao machismo, à homofobia e a todas as formas de intolerância. A democracia não se resume às eleições: exige respeito às diferenças, participação popular e garantia de direitos.
Lula não está acima das críticas. Seu governo precisa ser cobrado pela demarcação das terras indígenas, pela proteção dos territórios tradicionais e pelo enfrentamento à violência. Apoiar um projeto político não significa abrir mão da autonomia, da vigilância e da luta popular. Mas reconhecer seus limites não nos permite ignorar as diferenças entre os caminhos em disputa.
É disso que trata esta eleição. De um lado, a possibilidade de defender direitos, fortalecer políticas públicas e preservar a democracia. De outro, a ameaça de aprofundar o autoritarismo, a intolerância e a violência contra os movimentos sociais. Não se trata de escolher um governo perfeito, mas de assumir a responsabilidade histórica pelas consequências de nossas escolhas.
Votar em Lula, número 13, é dizer não ao projeto representado por Flávio Bolsonaro. É defender os trabalhadores, os povos indígenas e quilombolas, os territórios tradicionais, as águas e as florestas. É afirmar que a vida vale mais do que o lucro e que os direitos dos povos devem prevalecer sobre a ganância econômica.
Neste 12 de outubro, dia de Nossa Senhora Aparecida, voltemos nosso olhar à Mãe que, na fé do povo brasileiro, acolhe os pequenos, consola os que sofrem e fortalece a esperança dos que resistem. Que sua presença nos recorde que a fé não combina com o ódio, que a oração exige compromisso e que o amor ao próximo se traduz em solidariedade, justiça e defesa da vida.
Que Nossa Senhora Aparecida abençoe nosso povo, fortaleça os que lutam por terra, território e dignidade e ilumine nossos caminhos na construção de um Brasil mais justo, fraterno e solidário.
Neste segundo turno, vote Lula, 13. Pela democracia, pelos direitos do povo e por um Brasil que não desiste da esperança e da justiça social.
Porto Alegre, 12 de outubro de 2026, dia de Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil.
Roberto Antônio Liebgott é missionário do CIMI - Conselho Indigenista Missionário, atuando na região Sul do Brasil.
