Retomada Kaingang reafirma a luta pelos territórios de vida no Parque Saint’Hilaire
Na madrugada deste sábado (22), dezoito famílias do povo Kaingang realizaram uma retomada territorial em área localizada no Parque Natural Municipal Saint’Hilaire, entre os municípios de Porto Alegre e Viamão, no Rio Grande do Sul. A comunidade recebeu o nome de Retánh Krã, expressão que significa “Filhos da Mata”.
Segundo as lideranças da retomada, a iniciativa faz parte da histórica luta do povo Kaingang pela recuperação e proteção de seus territórios tradicionais. Elas afirmam que o território é muito mais do que um espaço físico: é o lugar onde vivem a memória ancestral, a espiritualidade, a língua, os conhecimentos tradicionais, os vínculos comunitários e as condições necessárias para a continuidade da vida do povo.

As lideranças destacam ainda que a constituição da aldeia Retánh Krã representa um compromisso coletivo com a preservação da cultura Kaingang e com a defesa dos direitos indígenas assegurados pela Constituição Federal. A retomada reafirma a presença originária do povo Kaingang na região e a busca por condições dignas de vida para as famílias.
Para a comunidade, a defesa dos territórios indígenas está diretamente relacionada à proteção das florestas, das águas e da biodiversidade. Por isso, a retomada é apresentada como um gesto de resistência e, ao mesmo tempo, de cuidado com a vida e com os bens naturais que sustentam as presentes e futuras gerações.
A nova aldeia nasce como símbolo da continuidade da luta dos povos indígenas por seus direitos e como expressão da determinação do povo Kaingang em manter vivos seus modos de vida, sua cultura e sua relação histórica com o território.
Representantes da Amigas da Terra Brasil (ATBr) estiveram no local na manhã deste sábado, manifestando solidariedade às famílias Kaingang e acompanhando os primeiros momentos da retomada.

O Cimi Sul, através de sua equipe em Porto Alegre, também manifesta seu apoio e solidariedade às famílias da retomada Retánh Krã e reafirma seu compromisso com a defesa dos direitos dos povos indígenas, reconhecendo que a luta pela terra é, antes de tudo, uma luta pela vida, pela dignidade, pela memória ancestral e pela construção de um futuro de justiça para os povos originários.
Cimi Sul – Equipe Porto Alegre.
Fotos: Amigas da Terra Brasil (ATBr).
Roberto Antônio Liebgott é missionário do CIMI - Conselho Indigenista Missionário, atuando na região Sul do Brasil.
