Cuba: nossa solidariedade diante dos embargos e bloqueios promovidos pelo governo dos Estados Unidos
Jussara Rezende/Cimi Sul/agosto 2026.
Devemos todos e todas expressar firmemente nossa solidariedade ao povo cubano. Que a força da esperança, da dignidade e da humanidade demonstradas pelo povo de Cuba nos inspire neste momento de tantas dificuldades.
As palavras de Leydis María Labrador Herrera, deputada à Assembleia Nacional do Poder Popular por Las Tunas, expressam uma profunda dor e, ao mesmo tempo, revelam a extraordinária capacidade de resistência do povo cubano diante das adversidades que enfrenta.
Seu relato sobre hospitais que precisam recorrer a sistemas de emergência para manter respiradores artificiais funcionando durante os apagões revela uma realidade que não pode nos deixar indiferentes.
Por trás de cada equipamento há uma vida. Há uma criança, uma mãe, um pai, uma família e profissionais da saúde que lutam diariamente para preservar a vida.
Não podemos aceitar que situações como essa sejam tratadas apenas como números, estatísticas ou consequências inevitáveis de disputas políticas e econômicas. Quando falta energia para manter um respirador funcionando, não estamos diante de uma questão abstrata: estamos falando de vidas humanas.
O bloqueio econômico, os embargos e as políticas de pressão promovidas pelo governo dos Estados Unidos contra Cuba não podem ser analisados apenas sob a ótica dos interesses geopolíticos. Precisamos olhar também para as consequências humanas que recaem sobre um povo inteiro, especialmente sobre as crianças, as famílias e as pessoas que mais necessitam de proteção.
Nenhum povo deveria ser submetido ao sofrimento como instrumento de pressão.
Nenhuma potência estrangeira deveria se sentir autorizada a determinar os caminhos de outro povo por meio da coerção econômica, da ingerência e do bloqueio.
Mas a fala de Leydis também revela algo maior: em meio às dificuldades, permanece viva a solidariedade.
Famílias que compartilham o pouco que têm. Vizinhos que cuidam uns dos outros. Trabalhadores que seguem realizando suas tarefas. Profissionais da saúde e da ciência que continuam buscando soluções mesmo diante das adversidades.
É justamente essa capacidade de não perder a humanidade que merece ser reconhecida e fortalecida.
Precisamos, neste tempo, expressar nossa solidariedade ao povo cubano, às crianças e famílias que enfrentam momentos tão difíceis, aos profissionais da saúde, aos cientistas, aos trabalhadores e a todas as pessoas que, cotidianamente, ajudam a sustentar a vida e a esperança.
Precisamos também reafirmar que a soberania e a autodeterminação dos povos devem ser respeitadas.
Não podemos aceitar um mundo em que os mais poderosos pretendam determinar os rumos da humanidade, submetendo outros povos aos seus interesses econômicos e políticos.
Que o poder de quem se coloca como dono do mundo não seja capaz de apagar a solidariedade entre os povos.
Que a defesa da vida esteja sempre acima da ganância, da dominação e da ingerência política e econômica.
Que os povos se unam contra o autoritarismo, a crueldade, o cinismo e todas as formas de opressão e dominação.
Neste momento, precisamos reafirmar nossa esperança: nenhum povo deve ser condenado ao sofrimento e nenhuma criança deveria ter sua vida colocada em risco pela falta de condições para manter um equipamento essencial funcionando.
Não podemos permanecer em silêncio diante do sofrimento quando sabemos que ele também é resultado de decisões políticas tomadas por governos e potências que deveriam compreender que, acima de qualquer disputa, está a vida humana.
Que prevaleçam a paz, a solidariedade, a cooperação, a autodeterminação dos povos e o respeito à dignidade humana.
Ao povo cubano, nossa palavra de fraternidade e esperança.
Que a solidariedade seja mais forte que o ódio.
Que a esperança seja mais forte que as dificuldades impostas de fora para dentro.
Que a humanidade seja mais forte que a crueldade.
E que a vida continue sendo o horizonte maior.
Jornalista, militante da Pastoral da Juventude do Meio Popular (PJMP).
