Venda da ilusão
É chegado o tempo em que as pessoas são alvos e não destinatárias.
Alvos da cobiça,
da malandragem,
da desfaçatez,
da vaidade.
Joguetes da politicagem,
do assédio, das mentiras
e do engodo.
Vendem beleza em palavras, promessas em gestos, esperanças embaladas em propaganda enganosa.
Sorriem diante das câmeras como quem oferece o futuro,
mas escondem o oportunismo,
a corrupção
e a perversidade.
São ervas daninhas
que se espalham
pelas telas da televisão,
pelos telejornais,
pelas redes
e pelos becos virtuais
da internet.
Negociantes de si mesmos, de si mesmas,
engomados, engomadas,
perfumados, perfumadas,
sob discursos
que escondem o que são.
E vendem.
Vendem-se.
Vendem a nós.
Vendem a ilusão
de que, depois do voto, teremos algo a dizer.
Como se a democracia
começasse numa eleição
e terminasse no silêncio.
Como se o povo
fosse chamado apenas
para escolher
quem irá decidir
por ele.
Mas há uma coisa
que não conseguem vender:
a consciência
de quem já percebeu
o truque das promessas ensaiadas.
Porque a ilusão
pode até ser vendida,
mas não precisa
ser comprada.
Porto Alegre (RS), 30 de agosto de 2026.
Roberto Liebgott.
Cimi Sul – Equipe Porto Alegre.
Jornalista, militante da Pastoral da Juventude do Meio Popular (PJMP).
