Pixuleco
Pixuleco é trocado,
é migalha, é pouca coisa,
é a alma posta à venda
por vaidade enganosa.
É quem vende até a honra
por uma nota duvidosa.
Pixuleco eleitoral,
de promessa e falsidade,
de assédio e de mentira,
de cinismo e desfaçatez.
Faz da urna um balcãozinho
e da própria vergonha, altivez.
Veste a fé de domingo,
prega Deus, família e paz,
mas quando a máscara cai,
a gente descobre o que faz:
adora a mentira e o medo,
e aos pobres despreza mais.
Fala muito sobre a vida,
mas não suporta a pobreza.
Faz discurso pela pátria,
mas só prega a truculência.
E chama de cristianismo
o que é ódio e violência.
Pixuleco da vergonha,
do acinte, da impostura,
da moral feita de barro,
da piedade de fachada.
É tanta cara de pau
que até estátua fica corada.
Pixuleco é coisa pequena,
mas a vergonha é colossal:
troca princípios por migalhas
e chama isso de moral.
E assim segue o pixuleco,
todo santo, todo sério,
com Deus no discurso
e a esperteza no mistério.
Que Frei Damião nos perdoe
por tamanha insensatez:
se a estátua tivesse sangue,
coraria de uma vez.
Porto Alegre, 16 de setembro de 2026.
Roberto Antônio Liebgott é missionário do CIMI - Conselho Indigenista Missionário, atuando na região Sul do Brasil.
