Venda da ilusão

Claudia Weinman
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É chegado o tempo em que as pessoas são alvos e não destinatárias.

Alvos da cobiça,
da malandragem,
da desfaçatez,
da vaidade.

Joguetes da politicagem,
do assédio, das mentiras
e do engodo.

Vendem beleza em palavras, promessas em gestos, esperanças embaladas em propaganda enganosa.

Sorriem diante das câmeras como quem oferece o futuro,
mas escondem o oportunismo,
a corrupção
e a perversidade.

São ervas daninhas
que se espalham
pelas telas da televisão,
pelos telejornais,
pelas redes
e pelos becos virtuais
da internet.

Negociantes de si mesmos, de si mesmas,
engomados, engomadas,
perfumados, perfumadas,
sob discursos
que escondem o que são.

E vendem.

Vendem-se.
Vendem a nós.

Vendem a ilusão
de que, depois do voto, teremos algo a dizer.

Como se a democracia
começasse numa eleição
e terminasse no silêncio.

Como se o povo
fosse chamado apenas
para escolher
quem irá decidir
por ele.

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Mas há uma coisa
que não conseguem vender:

a consciência
de quem já percebeu
o truque das promessas ensaiadas.

Porque a ilusão
pode até ser vendida,
mas não precisa
ser comprada.

Porto Alegre (RS), 30 de agosto de 2026.

Roberto Liebgott.
Cimi Sul – Equipe Porto Alegre.