Famélicos

Roberto Liebgott
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Finalmente foram vistos, seus corpos expostos, braços e pernas em pele e ossos, barrigas inchadas, rostos pálidos, olhares desconexos, entristecidos e distantes da luz.

Agora suas dores tornaram-se evidentes, todos ficaram impactados com as imagens de crianças, mulheres e homens sofrendo de fome, a mais profunda e dilacerante.

Famélicos, excluídos da vida, das matas e rios, de seus roçados, dos cultivos, dos sonhos e do futuro, que, quando chega, vem contaminado pelo mercúrio da infertilidade exterminante.

Yanomami, de existências sempre perturbadas pela ganância de homens perversos, desprovidos de humanidade, são os que querem, a qualquer custo, o ouro maldito, ensanguentado, covarde e contagioso.

Famélicos, agora, para serem vistos bastou a divulgação de algumas fotos, vídeos e de política, embora, até ontem, estivessem lá, nas sombras da morte, de onde, por mais que gritassem e denunciassem, não eram ouvidos.

Famélicos, a espera foi longa até que redes sociais movimentassem o imobilismo imposto pela tirania de governantes, do crime organizado, do garimpo miliciado, politizado, contrabandeado ao estrangeiro.

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Estrangeiro radiante de tanta fartura, onde as elites gozam de prestígio e são tratadas como pessoas de bem, honestas, investidoras, mas que produzem, não sem saberem e sem remorso algum, os famélicos e a morte Yanomami no BRASIL.

Porto Alegre, RS, 24 de janeiro de 2023.