Jardins Encantados
Mulheres campesinas,
da singeleza mais doce,
do frescor dos jardins encantados, rodeados e abençoados pelo feminino.
Mulheres semeadoras
das sementes mais férteis, das memórias originárias, da pureza, da bravura e da fartura.
Sementes que dormem na terra e acordam nas mãos das mulheres para florescer novamente ao mundo.
E, nos jardins, ao redor dos lares, as flores conversam com o vento, as borboletas bordam cores, as abelhas recolhem sonhos nas pétalas e as aves, em seus cantos, anunciam o renascer.
Entre ervas, frutos, flores e sementes, misturam-se os cheiros da terra molhada,
os sabores tenros da colheita em memória dos antigos saberes.
Tudo se encontra,
tudo se abraça,
tudo participa da grande comunhão da vida.
Mulheres campesinas,
dos jardins da diversidade, onde cada ser tem seu lugar e cada semente guarda um segredo.
Mulheres que fazem dos pequenos quintais
territórios de cuidado,
de partilha e de esperança.
Ternura carregada entre as mãos, tecida pelos dedos, plantada nos canteiros, doada nos abraços e repartida como pão.
Mulheres campesinas,
cultivam jardins e, sem perceber, cultivam mundos.
Guardam sementes contra o esquecimento,
fazem brotar alimentos
e anunciam, no perfume das flores, que um outro amanhã é possível.
Jardins encantados,
mulheres que encantam os passos, movem os sonhos, dão direção ao caminho e ofertam bem-aventuranças pelo tempo que há de vir.
E, quando as mulheres campesinas criam seus jardins, o destinam ao Bem Viver, vestindo-o de sementes, flores e esperança.
Chapecó (SC), 07 de agosto de 2026.
Roberto Liebgott.
Cimi Sul – Equipe Porto Alegre.
Jornalista, militante da Pastoral da Juventude do Meio Popular (PJMP).
