Eu amo vocês!
Eu amo vocês!
Amor, gratidão e profecia.
Depois de reeleito, Lula, na Avenida Paulista, em São Paulo, voltou-se para o povo que o acolhia e, com a voz rouca, disse: “Eu amo vocês!”
São só quatro palavras, mas imensas em sua simplicidade. Não eram promessa política, apenas um gesto de gratidão, reconhecimento e compromisso com aqueles que caminham, lutam e mantêm vivos os sonhos.
Lula, nessas eleições, não enfrentou tão somente o bolsonarismo, mas as forças do autoritarismo e de um sistema que coloca o capital acima da dignidade humana. Sua vitória, agora, nesse contexto, nos dá possibilidade de olhar para o amanhã e nos convoca a transformar os sonhos e as esperanças em justiça: com terras indígenas e quilombolas demarcadas, educação para todas e todos, saúde pública, fortalecendo o SUS, direitos e dignidade para os pobres.
Eu amo vocês! Essas palavras alcançaram a juventude, sua coragem de questionar, criar e transformar. Também alcançou sua força e sua capacidade de estar nas redes sociais e nas ruas, que se tornaram espaços de mobilização, articulação, participação e solidariedade. Nesses lugares a verdade deve vencer as mentiras e o diálogo superar o ódio. Porque os jovens não são apenas o futuro: são força viva de transformação no presente.
Que as palavras de amor se traduzam em compromisso com os povos indígenas e as comunidades tradicionais, pois elas são sementes do bem viver e que nos ensinam que a Terra não é mercadoria e que não há futuro quando a vida é sacrificada pela ganância, pela degradação e pela exploração sem limites.
“Eu amo vocês!” Que essas palavras expressem também nossa gratidão a um homem de 81anos de idade que não desistiu do Brasil e de seu povo. E que nosso compromisso seja o de seguir caminhando, porque amar é engajar-se, é resistir às injustiças, é planejar e realizar, juntos e juntas, um amanhã em que nenhuma pessoa seja esquecido e nenhuma vida valha menos que outra.
Eu amo vocês! Que essas palavras não se percam no tempo nem se reduzam a um gesto de emoção.
Que se tornem em gestos de fraternidade, coragem e resistência diante das injustiças; que fortaleçam a democracia, rompam as cercas do egoísmo e abram caminhos para um Brasil em que a terra seja direito, que a educação liberte, que a juventude transforme e que os povos originários e comunidades tradicionais sejam respeitadas em seus modos de ser.
Amar não faz desistir, faz caminhar e lutar para que nenhuma vida seja descartada e a esperança se transforme em horizonte, em futuro de paz.
Que a vida, enfim, floresça digna, plena, bela em suas diferenças e diversidades para todis, todas e todos.
26 de outubro de 2026.
Roberto Liebgott
Cimi Sul – Equipe Porto Alegre.
Ivan Cesar Cima
Cimi Sul – Equipe Norte RS.
Roberto Antônio Liebgott é missionário do CIMI - Conselho Indigenista Missionário, atuando na região Sul do Brasil.
Coordenação Colegiada do Cimi Sul - Conselho Indigenista Missionário.
