NOTA DE PESAR E DENÚNCIA
O Conselho Indigenista Missionário, Regional Sul – através de sua equipe em Porto Alegre, manifesta profundo pesar e indignação pela morte de Iasmim Souza Gonçalves, de apenas 18 anos, pertencente à comunidade Mbya Guarani de Passo Grande, no município de Barra do Ribeiro, Rio Grande do Sul.
Iasmim foi atropelada por uma caminhonete, no dia 29 de outubro, por voltas das 23:00h, na BR-116, em Barra do Ribeiro. Conforme as informações disponíveis, faleceu no próprio local do acidente. O motorista parou para prestar socorro. As circunstâncias do atropelamento ainda não foram esclarecidas.
Iasmim deixa três filhos, entre eles dois gêmeos e um bebê. Três crianças que perdem a presença e o cuidado de sua mãe. Uma jovem de 18 anos que teve a vida interrompida. Uma família e uma comunidade mergulhadas na dor de uma perda irreparável.
O Cimi Sul solidariza-se com os familiares, com a comunidade de Passo Grande e com todo o povo Mbya Guarani. Neste momento de luto, porém, não podemos deixar de denunciar as condições de extrema vulnerabilidade às quais estão submetidas dezenas de comunidades indígenas no Rio Grande do Sul.
Há famílias indígenas vivendo às margens de rodovias, expostas permanentemente ao risco de atropelamentos, acidentes, insegurança e violência. Não estão nesses lugares por escolha, tampouco porque sejam espaços adequados para viver. Estão ali porque lhes foram negados os territórios tradicionais, porque suas terras permanecem sem demarcação e proteção e porque o Estado não cumpre suas obrigações constitucionais.
A morte de Iasmim não pode ser tratada apenas como mais um acidente de trânsito. Ela também expõe uma realidade de abandono, negação de direitos e omissão do poder público. Este povo vem sendo impedido de viver em seu território, as famílias são obrigadas a permanecer nas margens de rodovias, sem condições mínimas de segurança e dignidade.
A demarcação e a proteção das terras indígenas não são favores, concessões ou medidas que possam ser adiadas indefinidamente. São direitos constitucionais e condições indispensáveis para que os povos indígenas possam viver com segurança, dignidade, autonomia e respeito aos seus modos de vida.
Iasmim tinha apenas 18 anos. Sua morte deixa uma dor que não pode ser reparada. Que sua partida não seja reduzida ao silêncio, nem mais uma tragédia esquecida. Que seja também um chamado à responsabilidade do Estado e à urgência de garantir os direitos territoriais dos povos indígenas.
Nosso abraço fraterno, solidário e respeitoso aos familiares de Iasmim, à comunidade de Passo Grande e a todo o povo Mbya Guarani.
Porto Alegre, 30 de outubro de 2026.
Cimi Sul – Equipe Porto Alegre.
